Mixed-media, denominado Exercício de Comunicação Poética, apresentado no Clube de Teatro 1° Acto, em Algés. Foi a primeira experiência do género em Portugal, concebido segundo a estrutura de A Invenção do Dia Claro, e Almada Negreiros ainda participou nela activamente.
Utilizaram-se poemas de Almada Negreiros, Mário Cesariny, Herberto Helder, e de Luiza Neto Jorge. A música foi escrita e dirigida por Jorge Peixinho, interpretada por António Oliveira e Silva, Clotilde Rosa e Helena Cláudio. Participaram os actores: Madalena Pestana, João Luís Gomes, António Borga, Vítor Viçoso, e colaboraram Maria Manuel Torres, Teresa Pacheco Pereira, Filomena Fernandes, Isabel Alves, Francisco Madeira Luís, José Luís Madeira, Manuel Torres, Alexandra Ribeiro e José Torres, entre outros. O autor do cartaz com um poema de Almada foi Fernando Calhau, o cartaz do próprio mixed-media é de autoria de Carlos Gentil-Homem.
Concebido como um diálogo permanente entre obra e público, ( “Todo o espectador é um cobarde e um traidor”) experimentava-se os mais diversos meios de comunicação. “A poesia era comunicada em objectos, em envolvimentos e nos mais diversos tratamentos sonoros, inclusivé na explosão de acontecimentos musicais, onde uma estrutura mais ou menos rigorosa, se opunha a diversas intervenções improvisadas. Para esta árdua preparação musical ocorreu a decidida intervenção do compositor Jorge Peixinho. A comunicação audiovisual, e em particular cinematográfica, onde se salienta o trabalho de Carlos Gentil-Homem, (filmes S8, Havia um homem que corria e Happy People, realizados em 1967-68, com os artistas João Luís Gomes, Marilyn Reynolds, Peter Rubin, James McPherson) as soluções plásticas e luminosas, a intervenção do público, acentuam o carácter experimental e aberto desta manifestação.” O envolvimento óptico, com diversos postos de projecção, cobria inteiramente o espaço do Teatro. Propunha o conhecimento dos poetas ao lado da construção de situações de festa e gastronomia. Assumia a “alegria como a coisa mais séria da vida” …..
Houve uma acesa polémica entre Ernesto de Sousa e Mário Cesariny. Este escreve o artigo Reina a Paz em Varsóvia. Ernesto de Sousa responde com outro artigo, A Prima Dona, alegando que Pessoa também fora empregado de escritório.
“1969 Participo em Pejo, Itália, no «1° Festival de Arte Colectiva» organizado por Bruno Munari (v. crónicas de M. Antónia Palla, in «Século Ilustrado»). Esta experiência teve resultados decisivos no «mixed-media» Nós Não Estamos Algures que já estava a ser concebido e ensaiado segundo a estrutura da Invenção do Dia Claro. (…)”
Ernesto de Sousa, Re Começar Almada em Madrid, Colecção Arte e Artistas, Imprensa Nacional - Casa da Moeda, Novembro de 1983